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Trabalhei até 2010 com grandes parafernálias. Quase todas minhas obras eram sistemas com equipamentos, dispositivos, anteparos. O que era interessante, mas também pesado já que eu necessitavam de grandes estruturas para  externar meu pensamento, minhas sensações, meus desejos. Até então eu não fazia objetos colecionáveis, guardáveis ou vendáveis. Não fazia parte da minha prática vender trabalhos finais que as pessoas possam levar para casa e colocar sobre os sofás ou mesas. Passei a repensar isso. Pensei em ter objetos, pequenas partes colecionáveis, penduráveis, expandidas. Tive como primeira questão a dificuldade em criar trabalhos decorativos ( no sentido mais restrito do termo). Tendo  a fugir do belo ou do agradável que alguém (inclusive eu mesma) penduraria na sala ou deixaria sobre uma estante. Não acho isso nem mérito, nem demérito.

Meu desafio foi, portanto, criar algo que exista neste espaço de mercado de arte, da troca de objeto por outra moeda.  Criei então, o Mercado de Arte. A proposta foi trocar valores simbólicos por imagens. Porque, além de valor material, são também estas experiências que estamos trocando quando trocamos arte.

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Imagens do meu acervo foram trocadas por  histórias, gestos, sons, ações. Cada imagem tinha um valor estipulado que era negociável. Após a venda, o comprador ganhava um recibo e uma embalagem. No recibo constava como havia pagado a fotografia: passeio vendado, história, silêncios etc. Esta ação aconteceu em Porto Alegre, em 2011, e ainda existe em potência dentro da minha maleta mágica.

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